KARL
MARX nasceu em Treves, na Prússia, em 1818. Era fi lho de um advogado judeu
convertido ao protestantismo. Foi filósofo, historiador, economista e
jornalista. Deixou numerosos escritos como "Manuscritos econômicos e
filosóficos", "0 18 Brumário de Luís Napoleão",
"Contribuição à crítica da economia política", "0 Capital",
e, em conjunto com Engels, "A Ideologia Alemã", "Manifesto
Comunista", entre outros. Segundo Engels, as duas grandes descobertas cientificas
de Marx foram: a concepção do materialismo histórico e a teoria da mais-valia.
Ativista político fundou e dirigiu a Primeira Internacional Operária, de 1867 a
1873. Em 1843, exilou se em Paris e posteriormente em Bruxelas e em Londres,
onde morreu em 1883.
FRIEDRICH
ENGELS (1820/1895) era filho de um rico industrial do ramo têxtil, da Renânia.
Escreveu "A situação,das classes trabalhadoras na Inglaterra",
"Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico", "A origem da
família, da propriedade privada e do Esta do", entre outras obras.
Colaborou intensamente com Marx e foi responsável pela organização e publicação
do segundo e do terceiro volumes de "0 Capital", após a morte de
Marx, com base em manuscritos e notas deixados por ele.
As idéias de Karl Marx e de
Friedrich Engels sofreram influência das principais correntes de pensamento de
sua época, como a economia liberal inglesa de Adam Smith e David Ricardo; o
socialismo utópico dos franceses Fourier e Saint Simon; a dialética(l) e o
materialismo(2) dos alemães Hegel e Ludwig Feurbach.
Marx utilizou o método
dialético para explicar as mudanças importantes ocorridas na história da
humanidade através dos tempos. Ao estudar determinado fato histórico, ele
procurava seus elementos contraditórios, buscando encontrar aquele elemento
responsável pela sua transformação num novo fato, dando continuidade ao
processo histórico.
Marx desenvolveu uma
concepção materialista da História, afirmando que o modo pelo qual a produção
material de uma sociedade é realizada constitui o fator determinante da
organização política e das representações intelectuais de uma época.
Assim, a base material ou
econômica constitui a "infraestrutura" da sociedade, que exerce
influência direta na "super-estrutura", ou seja, nas instituições
jurídicas, políticas (as leis, o Estado) e ideológicas (as artes, a religião, a
moral) da época.
Segundo Marx, a base material
é formada por forças produtivas (que são as ferramentas, as máquinas, as
técnicas, tudo aquilo que permite a produção) e por relações de produção
(relações entre os que são proprietários dos meios de produção as terras, as
matérias primas, as máquinas - e aqueles que possuem apenas a força de
trabalho).
Ao se desenvolverem as forças
produtivas trazem conflito entre os proprietários e os não-proprietários dos
meios de produção. 0 conflito se resolve em fav or das forças produtivas e
surgem relações de produção novas, que já haviam começado a se delinear no
interior da sociedade antiga. Com isso, a super-estrutura também se modifica e
abre-se possibilidade de revolução social.
No Prefácio do livro
"Contribuição à crítica da economia política", Marx identificou na
História, de maneira geral, os seguintes estágios de desenvolvimento das forças
produtivas, ou modos de produção: o asiático (comunismo primitivo), o
escravista (da Grécia e de Roma), o feudal e o burguês, o mais recente e o
último baseado no antagonismo das classes porque dará lugar ao comunismo, sem
classes, sem Estado e sem desigualdades sociais.
A evolução de um modo de
produção para o outro ocorreu a partir do desenvolvimento das forças produtivas
e da luta entre as classes sociais predominantes em cada período. Assim, o
movimento da História possui uma base material, econômica e obedece a um
movimento dialético. A passagem do modo de produção feudal, para o modo de
produção capitalista burguês, e um exemplo claro:
"0 modo de produção
feudal é o fato positivo, a afirmação mas já traz dentro de si o germe de sua
própria negação: o desenvolvimento de suas forças produtivas propicia o
surgimento da burguesia. À medida que estas forças produtivas se desenvolvem,
elas vão negando as relações feudais de produção e introduzindo as relações
capitalistas de produção. A luta entre a nobreza e a burguesia vai se acirrando;
em um determinado ponto deste desenvolvimento ocorre a ruptura e aparece o
terceiro elemento mais desenvolvido, que é mo do de produção capitalista. É,
portanto, 5 luta entre as classes que faz mover a História.'' (SPINDEL, A. op.
cit. p. 39.)
Marx e Engels começaram a
formular a concepção matéria da História quando escreveram juntos "A
Ideologia Alemã", em 1845/46; o materialismo histórico é, de acordo com
Marx, o "fio condutor" de todos os estudos subseqüentes. Os conceitos
básicos do Materialismo Histórico(3) constituem uma teoria científica da
História, vista até então como uma simples narração de fatos históricos. Ele
revolucionou a maneira de se interpretar a ação dos homens na História, abrindo
ao conheci mento, uma nova ciência e aos homens uma nova visão filosófica do
mundo: o Materialismo Dialético.
Notas:
(1) A- dialética hegelian afirma que cada conceito possui em si o seu
contrário, cada afirmação, a sua negação. 0 mundo não é um conjunto de coisas
prontas e acabadas, mas sim o resultado do movimento gerado pelo choque destes
antagonismos e destas contradições. A afirmação traz em si o germe de sua
própria negação (tese X antítese); depois de se desenvolver, esta negação entra
em choque com a afirmação e este choque vai gerar um terceiro elemento mais
evoluído, que Hegel chamou de "síntese" ou "negação da
negação". (SPINDEL, Arnaldo. 0 que Socialismo.São Paulo, Brasiliense,
1983, p. 31.)
(2)Em seu sentido mais amplo, o materialismo afirma que tudo o que existe
é apenas matéria, ou pelo menos, depende da matéria. Em sua forma mais geral,
afirma que a realidade humana é essencial mente material. (Dicionário do
Pensamento Marxista, ed. por Tom Bottomore, Rio de Janeiro, zahar, 1988, p.
254.)
(3) Esses conceitos são: forças produtivas, relações de produção, modo de
produção, meios de produção, infra-estrutura, super-estrutura, determinação em
última instância pela economia, classe social, luta de classes, transição,
revolução, etc.